As Esganadas de Jô Soares
Cia das Letras
262 p.
É o primeiro livro que leio dele e confesso que foi uma grande surpresa agradável.
É um policial serial killer, sem nenhum suspense, já que desde o início sabemos quem é o serial killer e sua motivação.
O enredo é simples e muito bem contado. O que me chamou muito a atenção foi o trabalho de pesquisa feito, o pano de fundo do livro é a Era Vargas - 1938, no Rio de Janeiro. E, eu, que sou carioca, fiquei muito encantada ao ler sobre o Rio antigo (pelo menos pra mim). Me lembrei muito da minha avó que falava do Rio desta época já que ela nasceu em 1912.
As Esganadas por Luis Fernando Verissimo:
"Como ator e comediante, o Jô é um grande fazedor de tipos. Sabe como poucos construir um personagem, defini-lo com um detalhe e dar-lhe vida com graça e inteligência. Como autor, essa sua maestria se expande: os tipos são postos no mundo e, mais do que no mundo, numa trama - e o seu criador (eu quase escrevi Criador, pois não deixa de ser um trabalho de Deus) se solta. Toda a ficção do Jô é feita de grandes personagens envolvidos em grandes tramas.
Os tipos e a trama deste livro são especialmente engenhosos, e através deles o autor nos da um retrato saboroso do Rio de Janeiro no fim dos anos 30 e começo do estado Novo - o Rio das vedetes que davam e dos políticos que tomavam, das estrelas do radio e das corridas de "baratinhas".
E nesse mundo em ebulição chega uma figura portuguesa, saída de um poema do Fernando Pessoa, para elucidar o estranho e terrível caso das gordas desaparecidas que ... Mas leia e fique sabendo. Só posso dizer que a trama deixará você, ao mesmo tempo, horrorizado e com fome. E que depois da leitura os pastéis de Santa Clara jamais significarão o mesmo."
Adorei o personagem Tobias Esteves, português, ex-policial, que ajuda na trama. No livro, o delegado do caso liga para a policia portuguesa para pedir informações sobre Tobias Esteves e aqui transcrevo um pedaço da ligação, imaginem uma ligação internacional em 1938!!!!
Noronha: Dr. Portela?
Portella: Tô!
Noronha: Tô! Tô!
Noronha: Um momento, por favor! (Castelão intervém em auxilio de Noronha)
Castelão: Doutor Portella?
Portella: (Resmunga baixinho longe do bocal): Cabrão de merda ... (alto) já disse que estou cá!
Castelão: Aqui é do Brasil, estamos ligando da Central de Policia do Rio de Janeiro. Bom dia.
Portella: Bom dia não, boa tarde.
...
Noronha: É o seguinte: nos estamos investigando uma série de crimes e tem um português chamado Tobias Esteves se oferecendo para ajudar. Ele diz que foi policial em Lisboa. É verdade?
Portella: Sim.
Noronha: Ele era bom profissional?
Portella: Do melhor. Infelizmente, foi afastado. Meteu-se numa patranha por conta de um inglês trafulha.
Noronha: Se entendi bem, Esteves se envolveu numa trapaça por causa de um inglês vigarista.
Portella: Pois. Mas nada de grave, foi uma esparrela pra ajudar um poeta que lhe era muito querido. Um tal de Fernando Pessoa. Os dois, mais um jornalista, inventaram uma patacoada como se o inglês, um intrujão chamado Aleister Crowley, houvesse sumido na Boca do Inferno.
Noronha: Sumido onde? O senhor disse que ele foi para o inferno.
Portella: Não!!! Boca do Inferno! É um sítio perto do mar em Cascais com umas rochas muito perigosas. Os aldrabões deixaram la um bilhete como se o cabrão do ingles se tivesse suicidado. O local é perfeito pra esse tipo de desporto. Bem, pra ficar a deitar fora o nosso tempo, quanto ao Esteves, acho que a punição foi exagerada. O gajo até que é porreiro, lembro-me bem dele. Como detetive, fazia deduções pasmosas. Mande-lhe de mim um abraço quando lhe chegar ao pé. (desliga)
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| Eu estive lá - Boca do Inferno - Cascais - Lisboa |
Sinopse: Rio, 1938. Um perigoso assassino está a solta nas ruas. Seu alvo: mulheres jovens, bonitas e ... GORDAS. Sua arma: irresistíveis doces portugueses. Com requintes de crueldade gastronômica, ele mata sem piedade sua vítimas, e depois expõe seus cadáveres acintosamente, escarnecendo das autoridades.
Em
As Esganadas, o autor do
best-seller O Xango de Baker Street está de volta ao tema que lhe é caro: assassinatos em série. No entanto, tal como Alfred Hitchcock, que desprezava os romances policias cujo objetivo se resume a descobrir quem é o criminoso (o famoso "whodonit"). Jô Soares revela logo no início não somente quem é o desalmado, como sua motivação psicológica para matar. O delicioso núcleo narrativo está nas tentativas aparvalhadas da polícia de encontrar um criminoso que, além de ser muito esperto e de não despertar suspeita alguma, possui uma rara característica física que dificulta sobremaneira a utilização dos novos "métodos científicos" da polícia carioca.
Para investigar os crimes, o famigerado chefe de polícia Filinto Muller designa um delegado ranzinza, assessorado por um auxiliar obtuso e medroso, e que contara com a inestimável ajuda de um sofisticado e culto ex-inspetor. Na perseguição ao criminoso, os três policiais ganham a desejável companhia de uma jovem linda, destemida, viajada e moderna, que é repórter e fotografa da principal revista ilustrada do país.
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| As ilustrações do livro são muito boas. |
Leitura agradável e muito ilustrativa. Eu gostei!
Serial Killer - O tema é autoexplicativo, mas para não dar margem às dúvidas, vamos lá: Literatura policial em que há a combinação de (policiais/detetives), investigação e, claro,homicídios seriados.
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